| Comemoração na Praça Tahrir |
Passei esses dias pensando em uma forma de abordar os conflitos árabes. Complexo como qualquer coisa ligada aos costumes mulçumanos, esses conflitos demonstram os anseios de uma população cerceada anos a fio por seus chefes políticos. A grande revolta árabe teve seu início com as insurreições na Túnisa, quando o site WikiLeaks divulgou telegramas que revelavam casos de corrupção do governo Zine El Abidine Bem Ali e violências contra um jovem universitário. Após as denuncias, protestos se espalharam pelo país, levando o presidente a deixá-lo em Janeiro. Incentivados pelo levante Tunisiano, os Egípcios foram às ruas exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak no cargo há 30 anos. Os protestos duraram 18 dias com o saldo total de 300 mortos e mais de 5.000 feridos. A renúncia ocorreu em 11 de fevereiro. Eufóricos os manifestantes comemoravam e gritavam “O Egito está livre! A Praça Tahrir, que virou símbolo nos protestos, estava tomada por milhares de pessoas. Bonito de se ver, mais bonito ainda é ver a força de um povo que busca e conquista a liberdade. A luta para os Egípcios ainda não acabou, daqui pra frente será necessário reestruturar a política, seus cargos e funções. A população exige melhores condições de vida, empregos, segurança e o reconhecimento das mulheres como cidadãs. Outros países como Marrocos, Mauritânia, Argélia, Sudão, Iêmen, Líbia também estão em protestos contra governos autoritários que estão a décadas no poder. Na Líbia os confrontos estão cada vez mais intensos, os mortos somam 640 e Muamnar Kadhafi, o ditador, comunicou que vai lutar até “a sua última gota de sangue” e responsabiliza a rede terrorista Al Qaeda de arquitetar as manifestações. As pressões externas feitas por países como a França começam a dificultar as ações do governo. Países já se organizam para retirar seus cidadãos de lá. Importante ressaltar que a alguns anos atrás a Líbia recebia sanções da ONU, depois, as relações internacionais foram restabelecidas e ,ironicamente, a Líbia faz parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU, eleita ano passado com o dobro de votos necessários, mais de 170. Saia justa para diplomacia internacional que aceitou o ditador com honrarias. A influência de Kadhafi não pára por aí. O ditador possui muitas participações em empresas européias, incluindo o time de futebol Juventus onde seu filho joga. Mas a importância da Líbia está relacionada ao suprimento de petróleo da Europa, 79% de toda a produção de petróleo é destinada para o mercado Europeu, 32% vai para Itália e 14% para Alemanha. Mais de 10% de todo o suprimento de petróleo europeu vem da Líbia. Apesar da Líbia produzir poucos barris de petróleo, cerca de 2 milhões, o país possui um grande reserva petrolífera. Recentemente o ditador anunciou o projeto de expansão da extração de petróleo, agitando o mercado externo. O que causou maior estranhamento, foi a conduta imparcial dos Estados Unidos. Recentemente, o Presidente Barack Obama fez um pronunciamento ameaçando a Líbia com sacões. O que podemos perceber, é que os conflitos ocorridos desde o início do ano, são marcos históricos na transformação dos costumes e pensamentos mulçumanos. Não há mais espaço para autoritarismo, a população clama e exige mudanças. Apesar disso, é preciso levar em conta o capitalismo que sobrepuja toda e qualquer ação popular legítima.
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