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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Transformação

Comemoração na Praça Tahrir
Passei esses dias pensando em uma forma de abordar os conflitos árabes. Complexo como qualquer coisa ligada aos costumes mulçumanos, esses conflitos demonstram os anseios de uma população cerceada anos a fio por seus chefes políticos. A grande revolta árabe teve seu início com as insurreições na Túnisa, quando o site WikiLeaks divulgou telegramas que revelavam casos de corrupção do governo Zine El Abidine Bem Ali e violências contra um jovem universitário. Após as denuncias, protestos se espalharam pelo país, levando o presidente a deixá-lo em Janeiro. Incentivados pelo levante Tunisiano, os Egípcios foram às ruas exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak no cargo há 30 anos. Os protestos duraram 18 dias com o saldo total de 300 mortos e mais de 5.000 feridos. A renúncia ocorreu em 11 de fevereiro. Eufóricos os manifestantes comemoravam e gritavam “O Egito está livre! A Praça Tahrir, que virou símbolo nos protestos, estava tomada por milhares de pessoas. Bonito de se ver, mais bonito ainda é ver a força de um povo que busca e conquista a liberdade. A luta para os Egípcios ainda não acabou, daqui pra frente será necessário reestruturar a política, seus cargos e funções. A população exige melhores condições de vida, empregos, segurança e o reconhecimento das mulheres como cidadãs. Outros países como Marrocos, Mauritânia, Argélia, Sudão, Iêmen, Líbia também estão em protestos contra governos autoritários que estão a décadas no poder. Na Líbia os confrontos estão cada vez mais intensos, os mortos somam 640 e Muamnar Kadhafi, o ditador, comunicou que vai lutar até “a sua última gota de sangue” e responsabiliza a rede terrorista Al Qaeda de arquitetar as manifestações. As pressões externas feitas por países como a França começam a dificultar as ações do governo. Países já se organizam para retirar seus cidadãos de lá. Importante ressaltar que a alguns anos atrás a Líbia recebia sanções da ONU, depois, as relações internacionais foram restabelecidas e ,ironicamente,  a Líbia faz parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU, eleita ano passado com o dobro de votos necessários, mais de 170. Saia justa para diplomacia internacional que aceitou o ditador com honrarias. A influência de Kadhafi não pára por aí. O ditador possui muitas participações em empresas européias, incluindo o time de futebol Juventus onde seu filho joga. Mas a importância da Líbia está relacionada ao suprimento de petróleo da Europa, 79% de toda a produção de petróleo é destinada para o mercado Europeu, 32% vai para Itália e 14% para Alemanha. Mais de 10% de todo o suprimento de petróleo europeu vem da Líbia. Apesar da Líbia produzir poucos barris de petróleo, cerca de 2 milhões, o país possui um grande reserva petrolífera. Recentemente o ditador anunciou o projeto de expansão da extração de petróleo, agitando o mercado externo. O que causou maior estranhamento, foi a conduta imparcial dos Estados Unidos. Recentemente, o Presidente Barack Obama fez um pronunciamento ameaçando a Líbia com sacões. O que podemos perceber, é que os conflitos ocorridos desde o início do ano, são marcos históricos na transformação dos costumes e pensamentos mulçumanos. Não há mais espaço para autoritarismo, a população clama e exige mudanças. Apesar disso, é preciso levar em conta o capitalismo que sobrepuja toda e qualquer ação popular legítima.

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