Não é novidade alguma. Todos nós brasileiros sabemos que muitos políticos se transformam em amigos do povo para se autopromover e assim angariar votos em eleições. Mas o que nos deixa estarrecidos são os deslizes provocados pela irritação de um momento que abre as cortinas da verdade e nos mostram o sujeito sem máscaras. Foi assim, em 2007, com o Prefeito Kassab em São Paulo, quando irritado por um morador que pedia por melhores condições no atendimento à saúde. Fora de si, Kassab expulsa o senhor chamando-o de vagabundo. Pensem comigo: Vagabundo? Alguém aí já passou pelo atendimento do serviço público de saúde à disposição em nosso país? Quantas pessoas foram vítimas de negligência, falta de atendimento, de médicos e medicamentos? Protestar é um direito nosso, principalmente quando temos a oportunidade de fazê-lo diretamente a quem se destina. Esse senhor que vemos ser escorraçado aos berros é o agente principal em todo o sistema, afinal de contas ele é o “USUÁRIO” (principal objetivo do SUS), que discriminado e marginalizado tem seus pedidos e protestos calados pela censura de quem deveria promover o bem estar social. Vejam:
Passados 04 anos, podemos ver novamente o mesmo comportamento com o então Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. Em visita ao local onde ocorreu um desabamento que matou 1 mulher e duas crianças no fim de semana passado, o então Prefeito é questionado por uma moradora que afirma não ter condições de sair da área de risco. Irritado pela insistência da mulher ele dispara aquilo que deveria ter ficado somente em seu pensamento: MINHA FILHA, ENTÃO, MORRA. MORRA. MINHA FILHA, NÃO FALE BESTEIRA. MINHA FILHA, NÃO DIGA BESTEIRA, NÃO DIGA BESTEIRA. VOCÊ É DE ONDE? Pronto, circo armado, cidadão desrespeitado e figura pública ridicularizada. Depois das veiculações do vídeo pela tv e Internet, Amazonino tentou se explicar: “Houve um grande mal-entendido, porque na verdade fui para lá salvar vidas e cumprir o meu dever. Fui lá ver o problema, e é natural ver as pessoas em áreas de risco, elas podem morrer. Aí uma moradora desavisada discutiu sob o aspecto de não sair de lá. Então, eu disse: ‘Morra’. A senhora pode morrer. É a mesma coisa, é a mesma expressão. Quando eu perguntei: ‘De onde você é?’, por que eu fiz a pergunta. Vocês vão já me entender. Ela disse que veio do Pará e eu disse ‘Está explicado’, porque não é o Pará. É Roraima, Pará, Maranhão... Quem não é de Manaus e vem para cá, é uma cidade complexa e diferente, e ficam fazendo habitações em lugares impróprios. Nós estamos cheios desse tipo de problema. Não foi discriminação, não tem nada disso” Vamos ao que interessa: se o prefeito já tem conhecimento desse problema, conhece a realidade das famílias que moram em locais de risco, o que fez para atenuar ou mesmo acabar com o problema? Nada absolutamente nada. Medidas paliativas e eleitoreiras são feitas em caráter de urgência para disfarçar as reais proporções do descaso pelo défcit habitacional que cidades e estados possuem. As pessoas não ficam a mercê da morte porque querem, só ficam porque ali construíram uma vida, fizeram planos, criaram filhos e não possuem expectativas de conseguir outro lugar para morar. Ouvir os pedidos e reclamações nem sempre é bom, mas é fundamental para a promoção de mudanças e transformações que são necessárias. Fica a lição para nós cidadãos e para os políticos do nosso País. Observem!
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