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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Veni, vidi, vici?


Durante o tempo em que não postei, parei para rever algumas coisas e organizar minhas idéias. Estava passando por alguns momentos que me levaram a tomar decisões que iam contra o que eu sempre achei certo.  Bom, quebrei alguns paradigmas pessoais e no fim das contas me dei conta de que ser contraditório é normal e natural. No início, nos sentimos como traidores de nossas convicções e pensamentos, buscamos formas de não fugir ao que pregamos, ficamos em alerta, estressados.  Lembrei-me que certa vez li uma crônica de Contardo Calligaris em que ele dizia: “Minha regra é a seguinte: a vida concreta tem o direito de condenar as idéias, enquanto as idéias podem criticar e querer mudar a vida concreta, mas não tem o direito de condená-la.“ Acabei concordando com esse pensamento. A vida é um complexo de erros, acertos, injustiças, preconceitos, que nada se assemelham com nossos ideais e expectativas. É claro que viver somente de forma racional real não nos garante assertividade em tudo o que fazemos. O que estou querendo dizer é que nem sempre nossas convicções se manterão inabaláveis ao longo de nosso cotidiano, de nossa existência. Mas nem por isso precisamos nos despir de todo e qualquer ideal.  Saber se adaptar a novos conceitos e ações é tão importante quanto manter-se alinhado a uma idéia. Contraditório? Não, talvez para chegarmos ao que realmente queremos, temos que abandonar velhos costumes e idéias, ir atrás de coisas novas que antes julgávamos desnecessárias ou erradas. Viver concretamente nos exige racionalidade, subjetividade, principalmente vontade e coragem de mudar. 
É aí que o lance todo se transforma e nos vemos frente a um precipício que nos obriga a mudar de qualquer forma. (soou meio trágico né?). Mas enfim, mudar pra mim é o mais difícil, porque exige de você uma postura nunca antes pensada. Será que devo abrir mão do que conquistei?(se é que conquistei alguma coisa), será que o que conquistei realmente é tão relevante assim? Estou perdendo tempo insistindo em coisas que não vão me levar a lugar algum? Investi e no fim das contas não serviu para nada? E a-g-o-r-a ?!? Como se troca o vagão com o trem andando? A vida não para, as pessoas não vão deixar de cobrar ou comparar o que você é ou deixou de ser... o que aumenta mais a angústia de tomar uma decisão e ir contra o que você sempre achou certo.
Pessoas que se arriscam se machucam mais, perdem muito e às vezes ganham depois, adquirem um novo olhar sobre a vida (seja ele bom ou ruim). Às vezes chegam à conclusão de que deveriam voltar atrás ou que devem continuar seguindo em frente. Mudar não nos dá apenas duas opções: errar ou acertar, nos dá a oportunidade de sabermos até onde podemos chegar e quanto podemos agüentar. Afinal a vida é assim, os contos de fadas nem sempre têm finais felizes, não é?